Durante muitos anos de sua vida, principalmente na terceira idade, minha mãe cultivou o hábito de presentear, nos aniversários, suas amigas, sobrinhas, vizinhas e colegas, de um modo muito especial: com um bolo de aniversário!

Minha mãe fazia a mesma receita de pão de ló que faço hoje e que está no meu livro Se a Vida Tivesse Receita, na página 41, com o título “Minha massa de pão de ló da mamãe”.
Na verdade, essa receita fui eu quem aprendi em um dos cursinhos de culinária de férias que fiz na infância. Mamãe adotou a receita como “sua”... Mas não importa. Isso é apenas um detalhe!
O que importa é que, de uns anos para cá, fui me tornando essa pessoa que adora um aniversário só para ter a oportunidade de fazer um bolo.
Acho que esse prazer de fazer, de preparar algo com as próprias mãos para presentear alguém, aprendi com mamãe.
Mas existe uma diferença entre nós — e é aí que a história fica interessante.
As massas são as mesmas, mas minha mãe fazia todos os bolos absolutamente iguais: recheados com creme inglês e frutas e cobertos com chantilly.
As frutas variavam conforme as safras. Portanto, os aniversariantes dos meses de julho a setembro, por exemplo, saboreavam morangos. Não era como hoje, quando encontramos morangos praticamente o ano inteiro.
Os meus bolos, porém, nunca são iguais.
Cada um recebe uma combinação única. Eu penso na pessoa, imagino seus gostos e me inspiro. E é incrível perceber como a mesma massa se presta a atender aos caprichos dos mais inusitados recheios, coberturas e combinações!
O prazer de ter liberdade para exercer minha criatividade é imenso.
Talvez esteja aí o maior segredo: não é apenas fazer um bolo para alguém. É criar algo que tenha a cara daquela pessoa e que, quem sabe, consiga deixar na memória um sabor único.
E foi assim que nasceu o bolo de hoje.
Fiz para uma colaboradora querida, que completou 21 aninhos — 21 anos de vida, de sonhos e de pura alegria!
Coloquei uma camada de pão de ló de chocolate entre dois bolos brancos, uma generosa quantidade de creme de pistache com chocolate branco, e finalizei com brigadeiro de pistache e raspas de chocolate branco.
Mais um bolo.
Mais uma combinação que nunca havia feito antes.
Mais uma história para ser lembrada pelo sabor.
E talvez seja justamente isso que eu tenha herdado de mamãe: o prazer de presentear.
Só que, no meu caso, presentear com um bolo virou também uma deliciosa maneira de dizer:
“Eu pensei em você.”



